A Gestão da Cadeia de Suprimentos (SCM) no Brasil

A Cadeia de Suprimentos é um conjunto de elos interligados entre si, tendo como objetivo fazer com que o ciclo de vida de uma mercadoria ou produto ocorra no mercado. Este ciclo vai desde a matéria prima até o consumidor final, passando por várias fases, as quais variam por tipo de produto ou mercadoria. Nós consumidores finais não percebemos diretamente a existência da cadeia, porém, sem ela jamais teríamos produtos para consumir. A cadeia implica em um fluxo de mercadorias ou produtos nascendo na matéria prima, e indo no sentido do consumidor final, passando por produtores rurais, indústrias, atacadistas, distribuidores, transportadores e varejistas. No sentido contrário a este fluxo, voltam as informações de elo em elo, munindo a cadeia de informações para que a mesma seja cada vez mais eficaz. Tudo isso precisa ser gerido e é sobre isso o nosso assunto.

Segundo o CSCMP – Council of Supply Chain Management Professionals, fundado em 1963 nos EUA, uma das mais respeitadas entidades do mundo nos assuntos ligados a gestão da Logística, gerir a Cadeia de Suprimentos “engloba o planejamento e gerenciamento de todas as atividades envolvidas no fornecimento e aquisição, conversão, e todas as atividades de gestão de logística. Importante destacar que também inclui a coordenação e colaboração com parceiros de canais que podem ser fornecedores, intermediários, prestadores de serviços de terceiros e clientes. Em essência, a gestão da cadeia de suprimentos integra a oferta e a gestão da procura dentro e entre as empresas.”.

scm

A Cadeia de Suprimentos é formada por vários elos que se relacionam diretamente, gerando uma corrente que faz com que produtos sigam evoluindo de elo em elo, como se fosse um organísmo vivo, que se alimenta, processa, absorve, descarta e se reproduz. Quando o ciclo se completa, toda a cadeia se muniu de informações valiosas para que o próximo ciclo seja executado com mais qualidade.  Sendo assim, numa análise sintética da Cadeia de Suprimentos, podemos dizer que vão produtos e voltam informações, as quais vão enriquecer de informações todos os elos.

Pelo conceito, imaginamos que a cadeia aparenta ser perfeita e que a cada dia torna-se mais eficaz, porém, “não é bem assim que a banda toca”. Em qualquer país do mundo, existem no mercado, diversas cadeias que se movimentam diariamente, e cada uma tem características particulares do ramo de negócio em que atuam. Por sua vez, a qualidade da cadeia vai depender fundamentalmente do gerenciamento que é feito pela mesma, em cada um dos seus elos. É neste gerenciamento que começam os problemas.

O fato da nomenclatura nos remeter a gerenciamento (Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos), não significa que essa gestão é sempre feita de maneira sistemática, integrada e perfeita como se espera. Isso ocorre com maior qualidade nos países de primeiro mundo, onde a tecnologia, a educação e a economia permitem a ocorrência de uma gestão com nível alto de qualidade. Aqui no Brasil, ainda não evoluímos o suficiente neste tema. A primeira barreira para o gerenciamento da cadeia é a burocracia e formalidade do governo, onde existem inúmeras leis a cumprir. Constantemente novas leis são criadas ou as já existentes são modificadas, sendo algo muito difícil o cumprimento de todas. Em geral, esta dificuldade está na área dos impostos. A segunda barreira é o baixo investimento das empresas de cada elo da cadeia no gerenciamento da mesma. Há a carência de profissionais com dedicação total ao gerenciamento da cadeia nas empresas. A terceira barreira é a falta de padrões de comunicação estabelecidos entre as empresas. No Brasil, cada cadeia tem um padrão de comunicação e o uso da tecnologia da informação que é o grande facilitador da comunicação entre os elos, ainda é feito de maneira incipiente na maioria delas.

Um exemplo da fraqueza das cadeias brasileiras é a falta de padrão tecnológico na comunicação entre os elos. O GS1 Brasil é uma entidade regional que representa o GS1 mundial, órgão que controla os padrões de EDI – Eletronic Data Interchange (Troca Eletrônica de Dados no mundo). No Brasil, a entidade deveria ter uma força algumas vezes maior que a que tem, devido ao baixo nível de educação nas empresas. Observa-se que muitas empresas preferem criar códigos de barra aleatoriamente, ao invés de adquirir seu código padrão mundial no GS1. Outro exemplo é que quando um elo da cadeia decide fazer um padão de interface de dados para se comunicar com outro elo, em inúmeros casos, ele decide criar um padrão particular, próprio, tornando complexo o cumprimento daquele padrão em todas as empresas que vão se relacionar com ele. Isso também ocorre com a falta de padrão de etiquetas de interface logística, para que a expedição e o recebimento das mercadorias em cada elo seja mais seguro, rápido e eficaz. Como disse anteriormente, o Brasil está andando a passos muito curtos neste caminho que milhares de empresas em todo o mundo já percorrem em velocidade a jato. Há casos absurdos como por exemplo, uma indústria produz uma etiqueta GS1 128 onde estão impressas as barras de validade e lote da mercadoria, código e nome da mesma, quantidade chegada e número do pedido original. Por sua vez, o próximo elo da cadeia não tem tecnologia para usar esta etiqueta, e com isso, toda a cadeia perde, pois o custo ficou mais alto e a cadeia ineficaz.

gs1 128

     etiqueta GS1 – 128

Observo que as cadeias no Brasil tem evoluído, porém a passos curtos, o que nos coloca em situação delicada na Logística mundial . O Brasil precisa investir em Logística, mas não apenas com os recursos das empresas, mas sim com investimento governamental para que fomente a resolução das barreiras existentes. Se depender somente das empresas, ainda vamos penar muito até que cheguemos a números toleráveis para um país com dimensões continentais e que pretende ser uma potência econômica, principalmente por ser forte nos elos iniciais da cadeia.

O investimento governamental na evolução da cadeia passa pela pressão que as empresas tem que fazer para que isso ocorra. O empresário brasileiro é tolerante, submisso e não luta por seus objetivos perante o governo, e com isso vão tendo a cadeia que merecem. É preciso ser mais enérgico nas cobranças ao governo, fazendo com que o mesmo perceba de fato que cadeias pobres e fraças em informações e padrões, faz com que os elos quebrem e ai a cadeia não gira, ou passa a girar de forma ainda mais ineficaz.

É necessário que as grandes entidades do Brasil como SEBRAE, SENAI, ABAD, ABRAS, etc, se unam no sentido de pressionar o governo e os elos da cadeia para resolver este problema. Não há mais como esperar, já estamos anos atrasados com a gestão da nossa cadeia de suprimentos.

 

 

 

 

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