GESTÃO de PESSOAS na CRISE

Escrito com base na matéria de capa publicada na revista Distribuição n.277 março/2016.(por Rubia Evangelinellis).

gestao de pessoas

Em toda a sua existência, a humanidade nunca se deparou com algo mais difícil que a tarefa de gerir pessoas. Controlar um ser único, dotado de inteligência, gostos, desejos e sensações das mais adversas é uma tarefa muito complexa. Somado a isso, há outro fator que torna a tarefa ainda mais difícil: a justa remuneração pelo serviço executado. Atualmente depois de toda a evolução ocorrida no mundo no século XX, as relações trabalhistas se tornaram mais inteligentes e mais justas, porém, a perfeição na gestão de pessoas jamais será conquistada, e o motivo é simples: o homem e o mundo mudam constantemente e por este motivo, a gestão de pessoas sempre terá que se reinventar. Diante deste cenário, os gestores tem que trabalhar para minimizar os problemas e manter a relação sadia. Nos dias atuais, atravessamos um momento muito ruim da economia brasileira, onde os trabalhadores estão sentindo na pele as consequências, e isso piora a relação empregador / empregado. Se gerir pessoas já era difícil, como fica então neste momento em que todos temos que nos transformar em dois para que a empresa continue a ter resultados no mercado?

“Em meio a uma crise econômica que deixou seu rastro no decorrer de 2015, estende as garras sobre 2016 e míngua a capacidade de consumo dos brasileiros, as empresas precisam ter em mente a necessidade de manter uma equipe treinada e com capacidade para pensar em como driblar as atuais adversidades. Especialistas em recursos humanos, empresários, executivos e gente como a agente entendem que, com boas práticas de gestão de pessoas, é possível manter firme os planos de crescimento e encontrar saídas criativas.”, diz Rubia. 

Já que o mercado está escasso de vendas, é fundamental manter os clientes já conquistados e traçar estratégias para a busca de novos, tendo como meta um melhor desempenho da equipe. Há 25 anos atrás, o meu ex chefe Edson Prado Junior, em uma palestra proferida em uma convenção de vendedores, já dizia que “É na crise que se cresce”. Aquele era um momento de crise no país, como já estamos acostumados a vivenciar. A frase é curta, profunda e continua atualizada nos dias de hoje. 

Na crise, as pessoas e as empresas buscam superação e conseguem fazer mais com menos, ou seja, realizam uma maior quantidade de tarefas com recursos limitados. É lógico que o esforço físico e mental na crise é muito maior, mas ele garante a sobrevivência de todos durante os tempos ruins. Não é hora de de reclamar do governo ou da vida, é hora de arregaçar mangas e trabalhar dobrado. Os que entenderem esta mensagem, sairão da crise com poucos arranhões. Os que fingirem não entender, vão amargar maus momentos. 

 

O lado B da crise (observar atentamente seus colaboradores)  

Ricardo Ribas, gerente-executivo da Page Personnel, parte integrante do PageGroup e especializada no recrutamento para cargos de suporte à gestão, destaca que a crise em si mesma acabou por afastar o propalado apagão de emprego. O atual contexto também possibilita a contratação de profissionais de primeira linha, uma vez que o estoque de mão de obra disponível com salários menores aumentou em relação ao praticados no passado recente. “Há hoje profissionais qualificados desempregados, principalmente na área comercial e na de trade marketing, que aceitam trabalhar com salários inferiores, na média de 12% a 20% em comparação com o quanto ganhavam no emprego anterior. Esse movimento acontece principalmente em cargos de gerência, supervisão e coordenação. O fato é que o mercado (com a grande oferta de mão de obra) está desinflacionando o salário”, explica.

Igualmente em razão da escassez das oportunidades de trabalho, segundo Ribas, há, por exemplo, ex-diretores que aceitam cargos de gerência, e gerentes que concordam em voltar à condição de supervisores. É um cenário que certamente favorece as empresas que encontravam dificuldade para repor seu quadro. Mas o executivo destaca que esse é também o momento para as companhias repensarem o sistema de trabalho e observarem atentamente os seus colaboradores, caso queiram obter um resultado melhor e diferente em 2016. Na prática, o especialista recomenda aos gestores para que “voltem os olhos para dentro de casa” e reconheçam os funcionários resilientes, que foram bem em 2015, mostraram interesse e apresentaram resultado favorável. “Esses profissionais têm tudo para se saírem bem neste ano, sem contar que já estão adequados à cultura e ao processos da empresa”.

Segundo Paulo Rios, Diretor de Tecnologia da Próton Sistemas, empresa produtora de softwares de gestão, várias medidas tiveram que ser tomadas para que a empresa pudesse seguir crescendo mesmo na crise. Uma parte do quadro teve que ser demitida devido a queda nas vendas, e isso aconteceu num momento em que ao contrário de demitir, era necessário aumentar o quadro. Durante 2015, ano do início da crise, estávamos mudando a tecnologia dos softwares da empresa e com isso, havia uma grande carga de trabalho a ser feita. Tínhamos que manter os clientes funcionando e ao mesmo tempo, desenvolver e implantar a nova tecnologia. Isso nos fez entender que tínhamos que nos superar. O ano passou e no início do ano de 2016, vimos que a equipe havia se superado. Conseguimos a nova tecnologia, melhoramos os resultados da empresa, e agora estamos finalizando a atualização tecnológica nos clientes. Durante esse turbilhão de acontecimentos, várias pessoas antigas e novas na empresa se destacaram e provaram que estão antenados com a realidade da empresa e do país. A Próton mantém uma política de justiça e respeito as leis do trabalho, fato esse que fez com que a empresa JAMAIS tivesse tido uma causa trabalhista para resolver. Acreditamos nas pessoas e no potencial de crescimento delas. Para 2016, temos o objetivo de chegar ao final do ano com pessoas mais qualificadas e com novas contratações. Acreditamos que 2017 será um ano de vendas e que isso demandará ainda mais a capacidade de superação da equipe.

Adolffino01919

 Adolfino Alves Pereira Neto

Professor, Empresário, Administrador, Consultor,

Especialista em Logística Empresarial.

 

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